Instrução: A questão está relacionada ao texto abaixo.
– Para mim esta é a melhor hora do dia –
Ema disse, voltando do quarto dos meninos. –
Com as crianças na cama, a casa fica tão
sossegada.
[5] – Só que já é noite – a amiga corrigiu, sem
tirar os olhos da revista. Ema agachou-se para
recolher o quebra-cabeça esparramado pelo
chão.
– É força de expressão, sua boba. O dia
[10] acaba quando eu vou dormir, isto é, o dia tem
vinte quatro horas e a semana tem sete dias,
não está certo? – Descobriu um sapato sob a
poltrona. Pegou-o e, quase deitada no tapete,
procurou, depois, o par ........ dos outros
[15] móveis.
Era bom ter uma amiga experiente. Nem
precisa ser da mesma idade – deixou-se cair
no sofá – Bárbara, muito mais sábia.
Examinou-a a ler: uma linha de luz dourada
[20] valorizava o perfil privilegiado. As duas eram
tão inseparáveis quanto seus maridos, colegas
de escritório. Até ter filhos juntas
conseguiram, acreditasse quem quisesse. Tão
gostoso, ambas no hospital. A semelhança
[25] física teria contribuído para o perfeito
entendimento? “Imaginava que fossem
irmãs”, muitos diziam, o que sempre causava
satisfação.
– O que está se passando nessa cabecinha?
[30] – Bárbara estranhou a amiga, só doente
pararia quieta. Admirou-a: os cabelos soltos,
caídos no rosto, escondiam os olhos ...........,
azuis ou verdes, conforme o reflexo da roupa.
De que cor estariam hoje seus olhos?
[35] Ema aprumou o corpo.
– Pensava que se nós morássemos numa
casa grande, vocês e nós...
Bárbara sorriu. Também ela uma vez tivera
a ideia. – As crianças brigariam o tempo todo.
[40] Novamente a amiga tinha razão. Os filhos
não se suportavam, discutiam por qualquer
motivo, ciúme doentio de tudo. O que
sombreava o relacionamento dos casais.
– Pelo menos podíamos morar mais perto,
[45] então.
Se o marido estivesse em casa, seria
obrigada a assistir à televisão, ........, ele mal
chegava, ia ligando o aparelho, ainda que
soubesse que ela detestava sentar que nem
[50] múmia diante do aparelho – levantou-se,
repelindo a lembrança. Preparou uma jarra de
limonada. ........ todo aquele interesse de
Bárbara na revista? Reformulou a pergunta
em voz alta.
[55] – Nada em especial. Uma pesquisa sobre o
comportamento das crianças na escola, de
como se modificam as personalidades longe
dos pais.
Adaptado de: VAN STEEN, Edla. Intimidade. In: MORICONI, Italo (org.) Os cem melhores contos brasileiros do século. 1. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. p. 440-441.
Considere as seguintes afirmações sobre a temporalidade e suas relações de sentido expressas no texto.
I - Os empregos do pretérito perfeito na narrativa situam as ações da personagem Ema no dia em que recebe a visita de sua amiga Bárbara, enquanto o presente faz parte do diálogo das personagens nesse passado narrado.
II - A palavra depois (l. 14) expressa o tempo posterior à Ema descobrir um sapato sob a poltrona, auxiliando na marcação de início e término das ações na narrativa.
III- Os usos do pretérito imperfeito na passagem Os filhos não se suportavam, discutiam por qualquer motivo (l. 40-42) descreve as ações continuadas dos filhos das personagens no passado narrado para caracterizar o relacionamento das crianças.
Quais estão corretas?