Instrução: A questão referem-se ao texto a seguir.
As possibilidades perdidas*
Martha Medeiros**
Fiquei sabendo que um poeta mineiro que eu não conhecia, chamado Emilio Moura, teria completado
100 anos neste mês de agosto, caso vivo fosse. Era amigo de outro grande poeta, Drummond. Chegaram a
mim alguns versos dele, e um, em especial, chamou-me a atenção: “Viver não dói. O que dói é a vida que não
se vive”.
[5] Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que
foram sonhadas e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos co-
nhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um
tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê?
[10] Porque, automaticamente, esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas proje-
ções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não co-
nhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido juntos e não tivemos, por todos os shows e livros e
silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela
eternidade interrompida.
[15] Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que
deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não
porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidencian-
o a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em compreender-nos. Sofremos não
porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o
[20] futuro está sendo confiscado de nós, impedindo, assim, que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com
as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: iludindo-se menos e
vivendo mais.
*Texto publicado em 25 de janeiro de 2016. Disponível em: https://www.revistapazes.com/perdidasmarthamedeiros/. Acesso em: 07 out. 2020. Adaptação.
**Martha Medeiros é escritora.
Analise as seguintes reescritas propostas para a frase abaixo, considerando o sentido do texto e as regras da variedade linguística culta.
“Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.” (linhas 5-6).
I – Nossas angústias não decorrem dos fatos vivenciados, mas de nossos projetos de vida que a realidade nos subtraiu.
II − Nosso sofrimento não provém daquilo que vivemos, mas daquilo com que sonhamos e que não se concretizou.
III – Nossas mágoas não são só consequência da realidade que experimentamos, mas dos planos que fazemos e que não puderam ser postos em prática.
Em relação às reescritas propostas acima, pode-se afirmar que está(ão) adequada(s)