INSTRUÇÃO: Leia o trecho de uma crônica de Lima Barreto e responda à questão.
Eu também sou candidato a deputado. Nada mais justo. Primeiro: eu não pretendo fazer coisa alguma pela Pátria, pela família, pela humanidade. Um deputado que quisesse fazer qualquer coisa dessas, ver-se-ia bambo, pois teria, certamente, os duzentos e tantos espíritos dos seus colegas contra ele. Contra as suas ideias levantar- -se-iam duas centenas de pessoas do mais profundo bom senso. Assim, para poder fazer alguma coisa útil, não farei coisa alguma, a não ser receber o subsídio. Eis aí em que vai consistir o máximo da minha ação parlamentar, caso o preclaro eleitorado sufrague o meu nome nas urnas. Recebendo os três contos mensais, darei mais conforto à mulher e aos filhos, ficando mais generoso nas facadas aos amigos. Desde que minha mulher e os meus filhos passem melhor de cama, mesa e roupas, a humanidade ganha. Ganha, porque, sendo eles parcelas da humanidade, a sua situação melhorando, essa melhoria reflete sobre o todo de que fazem parte. (...) Razões tão ponderosas e justas, creio, até agora, nenhum candidato apresentou, e espero da clarividência dos homens livres e orientados o sufrágio do meu humilde nome, para ocupar uma cadeira de deputado, por qualquer Estado, província ou emirado, porque, nesse ponto, não faço questão alguma. Às urnas.
(“O novo manifesto”, Vida urbana, Rio, 16/1/1915)
INSTRUÇÃO: Responda à questão, associando a crônica “O novo manifesto” a outras obras de Lima Barreto.
I. A crítica à classe política, presente no texto em destaque, igualmente é apresentada em Triste fim de Policarpo Quaresma.
II. A denúncia social, característica comum da obra de Lima Barreto, também é evidente em Recordações do escrivão Isaías Caminha, texto no qual o autor mostra a corrupção de um jornalista mulato para ascender na profissão.
III. O efeito do humor, que nesta crônica se constrói a partir da figura da ironia, também pode ser observado no conto O homem que sabia javanês.
A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são