INSTRUÇÃO: Responder à questão com base no texto.
TEXTO
A coragem (...) só se torna uma virtude quando a
serviço de outrem ou de uma causa geral e generosa.
Como traço de caráter, a coragem é, sobretudo, uma
fraca sensibilidade ao medo, seja por ele ser pouco
[5] sentido, seja por ser bem suportado, ou até provocar
prazer. É a coragem dos estouvados, dos brigões ou
dos impávidos, a coragem dos “durões”, como se diz
em nossos filmes policiais, e todos sabem que a virtu-
de pode não ter nada a ver com ela.
[10] Isso quer dizer que ela é, do ponto de vista moral,
totalmente indiferente? Não é tão simples assim. Mes-
mo numa situação em que eu agiria apenas por egoís-
mo, pode-se estimar que a ação generosa (por exem-
plo, o combate contra um agressor, em vez da súplica)
[15] manifestará maior domínio, maior dignidade, maior li-
berdade, qualidades moralmente significativas e que
darão à coragem, como que por retroação, algo de seu
valor: sem ser sempre moral, em sua essência, a cora-
gem é aquilo sem o que, não há dúvida, qualquer moral
[20] seria impossível ou sem efeito. Alguém que se entre-
gasse totalmente ao medo que lugar poderia deixar aos
seus deveres? (...) O medo é egoísta. A covardia é ego-
ísta. (...) Como virtude, ao contrário, a coragem supõe
sempre uma forma de desinteresse, de altruísmo ou de
[25] generosidade. Ela não exclui, sem dúvida, uma certa
insensibilidade ao medo, até mesmo um gosto por ele.
Mas não os supõe necessariamente. Essa coragem não
é a ausência do medo, é a capacidade de superá-lo,
quando ele existe, por uma vontade mais forte e mais
[30] generosa. Já não é (ou já não é apenas) fisiologia, é
força de alma, diante do perigo. Já não é uma paixão, é
uma virtude, é a condição de todas. Já não é a cora-
gem dos durões, é a coragem dos doces, e dos heróis.
André Comte-Sponville. Pequeno tratado das grandes virtudes. p. 55 a 57 (adaptado).
Neste fragmento, o autor pretende esclarecer ao leitor que