INSTRUÇÃO: Responder à questão com base no texto.
TEXTO
Das opções políticas à escolha do creme que se
usa no rosto, as decisões que tomamos agora parecem
carregadas de implicações morais. Temos, desde os
gregos, quase trinta séculos de pensamento sobre ética.
[5] E, se isso nem de longe resolve problemas que vão da
organização familiar à pesquisa científica, não é apenas
porque hoje há dilemas com os quais não se sonhava
em Atenas: todo sistema moral sempre será insuficiente
perante a realidade. Hoje, quando a filosofia é uma dis-
[10] ciplina acadêmica, perdemos a ideia de completude que
ela representava no mundo pagão antigo. Em Pursuits
of Wisdom
, um belo panorama do pensamento ético da
antiguidade, John Cooper, da Universidade Princeton,
lembra que, entre os gregos, a filosofia era antes de
[15] tudo um modo de vida, um guia para a virtude e a felici-
dade. E, que lindo, não se concebia que pudesse haver
felicidade sem virtude. (...) Na filosofia moderna, o foco
especializado dos pensadores da ética saiu do sujeito e
de suas virtudes (ou falta delas) para se focar em ações:
[20] é certo ou errado comer carne, ou usar o carro para ir
ao trabalho todo dia? Mas a sabedoria fundamental – no
sentido mais substantivo desse adjetivo – da filosofia
grega é incontornável. Marco Zingano, professor do
Departamento de Filosofia da USP, lembra que a ética
[25] das virtudes, proposta sobretudo por Aristóteles, tem
uma relevância especial hoje: “Uma ideia cara à ética
das virtudes é que as decisões devem ser tomadas em
função das circunstâncias, a partir de uma certa sensibili-
dade moral.” Nessa concepção, somos, cada um de nós,
[30] agentes morais: todas as decisões éticas são tomadas
em primeira pessoa, e é inadmissível que a voz de um
agente moral seja usurpada.
Veja, dezembro de 2013, edição 2353 (adaptado).
A partir da leitura do texto, infere-se que, da antiguidade aos dias de hoje, o homem