INSTRUÇÃO: Responder à questão com base no texto.
TEXTO
Um Maracanã de floresta acaba de desaparecer.
Isso desde que você começou a ler este texto, há um
segundo. Amanhã, neste mesmo horário, você levará
a vida como sempre – esperamos. Mas os integran-
[5] tes de 137 espécies de plantas, animais e insetos,
não. Eles terão o destino que 50 mil espécies por ano
têm: a extinção. Argumentos como “15 Maracanãs de
mata tropical devastados desde o início deste pará-
grafo” são fortes, mas nem sempre suficientes. Só
[10] que existe outro, talvez ainda mais persuasivo: dinhei-
ro não dá em árvore, mas árvore dá dinheiro.
Hoje, manter uma floresta em pé é negócio da
China. Em uma área estratégica perto do rio Yang Tsé,
o governo chinês paga US$ 450 aos fazendeiros por
[15] hectare reflorestado. O objetivo é conter as enchentes
que alteram o fluxo de água do rio. Equilíbrio ecológi-
co, manutenção do ecossistema, mais espécies pre-
servadas, esses são os objetivos do Partido Comu-
nista Chinês? Não. Trata-se de um investimento.
[20] O reflorestamento mantém o curso do rio estável
e as árvores, sozinhas, aumentam a quantidade de
chuva – as plantas liberam vapor d’água durante a
fotossíntese. Resultado: mais água no Yang Tsé. O
que isso tem a ver com dinheiro? A água alimenta tur-
[25] binas das hidrelétricas distribuídas pelo rio – inclusive
a megausina de Três Gargantas, 50% maior que Itaipu,
que abriu as comportas em 2008.
Investindo em reflorestamento, os chineses agem
de forma pragmática. Pagar fazendeiros = mais árvo-
[30] res. Mais árvores = mais água no rio. Mais água =
mais energia elétrica barata (ainda mais no país que
inaugura duas usinas a carvão por semana para dar
conta de crescer como cresce). Mais energia barata,
mais produção para a economia – e dinheiro para pa-
[35] gar os reflorestadores. O final dessa equação é surreal
para os padrões brasileiros. A China, nação que mais
polui e que mais consome matéria-prima, tem índice
de desmatamento zero. Abaixo de zero, até: eles plan-
tam mais árvores do que derrubam.
REZENDE, Rodrigo. Revista Superinteressante, março, 2011.
Analisando algumas passagens do texto, NÃO é correto afirmar que