Isso tudo se passou conosco. (...)
Nos caminhos jazem dardos quebrados;
Os cabelos são espalhados.
Destelhadas estão as casas,
Incandescentes estão os muros.
Vermes abundam por ruas e praças.
E as paredes estão manchadas de miolos arrebentados.
Vermelhas estão as águas, como se alguém as tivesse
tingido,
E se a bebíamos, eram águas de salitre.
Golpeávamos os muros de adobe em nossa ansiedade
e nos restava por herança uma rede de buracos.
Nos escudos esteve nosso resguardo, mas os escudos não
detêm a desolação.
Temos comido pães de colorim [árvore venenosa],
temos mastigado grama salitrosa,
pedaços de adobe, lagartixas, ratos, e terra em pó e mais os
vermes. (...)
(Miguel León-Portilla. A conquista da América Latina vista pelos índios. Rio de Janeiro: Vozes, 1985. p.41)
O conhecimento histórico sobre o período das conquistas da América espanhola permite concluir que Hermán Cortés e Francisco Pizarro