Janela
Janela, palavra linda
Janela é o bater das asas da borboleta amarela.
Abre pra fora as suas folhas de madeira à toa
pintada,
janela jeca, de azul.
Eu pulo você pra dentro e pra fora, monto a cavalo
em você,
meu pé esbarra no chão.
Janela sobre o mundo aberta, por onde vi
o casamento da Anita esperando neném, a mãe
do Pedro Cisterna urinando na chuva, por onde vi
meu bem chegar de bicicleta e dizer a meu pai:
minhas intenções com sua filha são as melhores
possíveis.
Ô janela com tramela, brincadeira de ladrão,
claraboia na minha alma,
olho no meu coração.
PRADO. A. Poesia Reunida. Rio de Janeiro: Record, 2017
Nesse poema, o eu-lírico celebra a janela. Sobre esse objeto poético no texto, considere as assertivas a seguir.
I. O elogio do objeto janela se revela a partir do próprio signo linguístico.
II. A janela da afeição do eu-lírico é a de cor amarela como a da borboleta.
III. A janela no poema sugere o movimento dialético da própria vida.
IV. A janela é denotativa e conotativamente um lugar de registro dos eventos da vida.
É correto o que se afirma apenas em