John e Margaret estavam comprando os presentes de Natal de seus três filhos: Matthew, de 14 anos, Mark, de 12, e Luke, de 10. Os pais tinham previsto gastar 100comcadaumdeles.Elogoacharamoqueestavamprocurando:consolesdevideogameportaˊteisPlayBoya100 cada. Quando estavam a caminho do caixa, John percebeu uma oferta especial. Se comprasse dois consoles dos novos modelos de ponta, o PlayBoyPlusMax, a $150 cada, ganharia de brinde um PlayBoy original inteiramente grátis. [...]
– Não podemos fazer isso – disse Margaret. – Seria injusto, já que um dos meninos ganharia menos que os outros.
– Mas Margaret, como isso pode ser injusto? Dessa maneira, nenhum deles recebe um presente pior do que receberia antes, e dois deles ainda saem em vantagem. Se não pegarmos a oferta, dois dos garotos vão ficar em uma situação pior.
– Quero que todos sejam iguais – respondeu Margaret.
– Mesmo que isso signifique que eles serão prejudicados?
(Julian Baggini, O porco filósofo, Desigualdade justa, Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2006, p. 262)
Considere as afirmações.
I. Esse exercício de pensamento mostra que, embora a igualdade seja algo desejável, existem situações em que ela pode não ser justa. No entanto, aceitar que nem sempre é mais vantajoso impor a igualdade significa aceitar toda desigualdade sem questionar.
II. Partindo-se de uma concepção estritamente igualitária de justiça, a opção de Margaret, pode-se afirmar que é injusto optar pela compra dos dois consoles mais caros, uma vez que, na comparação entre os filhos, um deles fatalmente seria prejudicado.
III. Grosso modo, o princípio da diferença, de John Rawls, afirma serem as desigualdades permitidas apenas se elas beneficiarem os menos favorecidos. Como, no caso mencionado, não temos uma situação em que um dos irmãos está em desvantagem, não é possível aplicar perfeitamente esse princípio.
Está(ão) correta(s)