–– Lampiãããããão morreeeu...!
Apanhado de susto, no papoco da notícia que acaba de atroar, Coriolano estremece de coração em rebates pegando a boca do peito. Freme-lhe o couro, esbarra a costura da chinela e apura as ouças de faro aguçado, espichando o pescoço pra fora da cacunda. Será, meu Pai do Céu, que o Herodes, enfim, desencarnou? Não, não pode ser! Na certa isto é capricho da idade! [...]
–– Toma lá, satanás dos infernos!
Sim senhor: Lampião morreu! Apregoa, aos quatro ventos, de matraca na mão, o fiscal da intendência, em nome da maior autoridade, responsável pela paz do município.
DANTAS, Francisco J. C. Os desvalidos. 3ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012. p. 13-14.
O excerto, contextualizado na obra literária intitulada de Os Desvalidos,
I. constitui o início da narrativa, cujo anúncio feito significa o fim de um período marcado não só por uma série de violência e desatinos, mas também do começo de melhoria de vida para todos aqueles marginalizados pela seca.
II. evidencia a alegria contida de Coriolano com morte de Lampião, do qual tinha medo, porque, ainda na juventude, teve a casa por ele invadida, conseguindo fugir do Aribé, além de ter sido obrigado a prestar-lhe serviços depois.
III. mostra a figura do líder do bando sob o olhar do narrador-personagem, o que sinaliza o quanto ele era temido pelos desvalidos sem proteção de coronel, os quais sofriam nas mãos dos cangaceiros ou da volante, naquela época.
IV. faz lembrar a crença de que Virgulino tinha o “corpo fechado”, o que traz à mente do leitor um quadro de superstições e de crendices próprias de uma camada social pouco esclarecida.
V. prenuncia a ausência de conflitos existenciais, inclusive, já que a paz voltou a reinar no sertão nordestino com o extermínio do cangaço.
A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a