Largas dentaduras,
vosso riso largo
me consolará
não sei quantas fomes
ferozes, secretas
no fundo de mim.
Não sei quantas fomes
jamais compensadas.
Dentaduras alvas,
antes amarelas
e por que não cromadas
e por que não de âmbar?
de âmbar! de âmbar!
feéricas dentaduras,
admiráveis presas,
mastigando lestas
e indiferentes
a carne da vida!
O trecho acima é do poema “Dentaduras Duplas”, que integra o livro Sentimento do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade. Dele e do poema como um todo, podemos afirmar que