Leia a passagem do romance Niketche e responda às questão.
Preciso de um espaço para repousar o meu ser. Preciso de um pedaço de terra. Mas onde está minha terra? Na terra do meu marido? Não, não sou de lá. Ele diz-me que não sou de lá, e se os espíritos da sua família não me quiserem lá, pode expulsar-me de lá. O meu cordão umbilical foi enterrado na terra onde nasci, mas a tradição também diz que não sou de lá. Na terra do meu marido sou estrangeira. Na terra dos meus pais sou passageira. Não sou de lugar nenhum. Não tenho registo, no mapa da vida não tenho nome. Uso este nome de casada que me pode ser retirado a qualquer momento. Por empréstimo. A minha alma é a minha morada. Mas onde vive a minha alma? Uma mulher sozinha é um grão de poeira no espaço, que o vento varre para cá e para lá, na purificação do mundo. Uma sombra sem sol, nem solo, nem nome.
(CHIZIANE, Paulina. Niketche: uma história de poligamia. São Paulo: Companhia de Bolso, 2021. p. 80.)
Com base no período “Uma sombra sem sol, nem solo, nem nome.”, considere as afirmativas a seguir.
I. A ausência de verbo se explica pela conexão sintática e semântica com o período anterior.
II. Embora “sem” e “nem” sejam palavras diferentes, seu emprego no período aponta para o mesmo sentido de ausência.
III. As vírgulas marcam a contradição na forma como a narradora caracteriza a sombra.
IV. Observa-se a ausência de substantivos concretos, confirmando a desumanização da personagem.
Assinale a alternativa correta.