Leia a posteridade, ó pátrio Rio,
Em meus versos teu nome celebrado;
Por que vejas uma hora despertado
O sono vil do esquecimento frio:
Não vês nas tuas margens o sombrio,
Fresco assento de um álamo copado;
Não vês ninfa cantar, pastar o gado
Na tarde clara do calmoso estio.
Turvo banhando as pálidas areias
Nas porções do riquíssimo tesouro
O vasto campo da ambição recreias.
Que de seus raios o planeta louro
Enriquecendo o influxo em tuas veias,
Quanto em chamas fecunda, brota em ouro.
Cláudio Manuel da Costa, Obras.
Considere as seguintes informações sobre o texto:
Nesse poema, manifestam-se as fusões entre
I o reconhecimento da matriz marcadamente europeia do imaginário arcádico e a tentativa de sua transplantação para o Novo Mundo;
II o propósito nativista de louvar a própria terra e a percepção do caráter coisificado de sua condição colonial;
III configurações formais de ordem cultista e a utilização de elementos composicionais já mais típicos da poesia neoclássica.
Está correto o que se afirma em