Leia a reflexão feita pelo narrador do romance O homem duplicado, de José Saramago (2008, p. 140):
Ao contrário do que em geral se pensa, tomar uma decisão é uma das decisões mais fáceis deste mundo, como cabalmente se demonstra pelo facto de não fazermos mais nada que multiplicá-las ao longo de todo o santíssimo dia, porém, e aí esbarramos com o busílis da questão, elas sempre nos vêm a posteriori com os seus problemazinhos particulares, ou, para que fiquemos a entender-nos, com os seus rabos por esfolar, sendo o primeiro deles o nosso grau de capacidade para mantê-las e o segundo o nosso grau de vontade para realizálas.
Acompanha-se neste fragmento o trabalho estético que o autor faz com a linguagem formal e também uma das reflexões centrais da narrativa, relacionada