Leia, a seguir, o trecho da crônica “O homem trocado”, de Luis Fernando Verissimo, e responda à questão.
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
– Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.
– O senhor não faz chamadas interurbanas?
– Eu não tenho telefone! Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.
– Por quê?
– Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer:
– O senhor está desenganado. Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.
– Se você diz que a operação foi bem... A enfermeira parou de sorrir.
– Apendicite? - perguntou, hesitante.
– É. A operação era para tirar o apêndice.
– Não era para trocar de sexo?
(VERISSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 28.)
Com base no trecho da crônica, considere as afirmativas a seguir
I. Os castigos escolares foram, segundo o homem vítima de tantos enganos, determinantes para o insucesso no vestibular e para lhe vedar a entrada na universidade.
II. O diagnóstico médico do desengano revelou-se, afinal, ser mais um dos enganos, e a reação de “breve, louca alegria” justifica-se pelo sofrimento com o acúmulo de equívocos.
III. A experiência conjugal foi marcada pelas ações de desencontros, embora haja diferenças sutis nessas ações: na primeira, há um erro involuntário; na segunda, ela o trai.
IV. A hesitação da enfermeira, em sua penúltima fala, já denuncia mais um equívoco, e tanto a carga de humor quanto o grau do erro são intensificados com a pergunta final.
Assinale a alternativa correta.