Leia, abaixo, o soneto “A meu Pai doente”, de Augusto dos Anjos:
Para onde fores, Pai, para onde fores,
Irei também, trilhando as mesmas ruas...
Tu, para amenizar as dores tuas,
Eu, para amenizar as minhas dores!
Que coisa triste! O campo tão sem flores,
E eu tão sem crença e as árvores tão nuas
E tu, gemendo, e o horror de nossas duas
Mágoas crescendo e se fazendo horrores!
Magoaram-te, meu Pai?! Que mão sombria,
Indiferente aos mil tormentos teus
De assim magoar-te sem pesar havia?!
— Seria a mão de Deus?! Mas Deus enfim
É bom, é justo, e sendo justo, Deus,
Deus não havia de magoar-te assim!
Sobre o poema acima, marque as assertivas abaixo com V (para verdadeiro) ou F (para falso).
( ) Nos dois versos finais da primeira estrofe, podese entender que o quiasmo funciona para criar um paralelo entre pai e filho, ambos sofredores.
( ) O campo “sem flores” e as árvores “nuas” podem ser tomados como metáforas do sentimento de vazio do eu lírico, diante da morte iminente do seu pai.
( ) A reiteração da palavra “Deus”, ao fim do soneto, revela que ele é um sujeito de fé e que ainda espera a salvação da vida de seu pai.
( ) O uso da palavra “Pai”, com letra maiúscula, revela que se trata de Deus, e não do pai humano do eu lírico.
( ) É possível entender as expressões “é bom” e “é justo”, em referência a Deus, como antífrases, já que elas podem significar o oposto do que parecem dizer.
Marque a alternativa que apresenta a sequência CORRETA.