Leia atentamente o poema de Gregório de Matos:
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
O soneto, de Gregório de Matos, sintetiza algumas das ditas características do período barroco, como o jogo de oposição entre luz e sombra, promovido, no poema, por construções de caráter contraditório, como: “um dia” versus “noite escura”; “tristeza” versus “alegria”; e “constância” versus “inconstância”.
A esse expediente, denomina-se: