Leia atentamente o trecho abaixo:
A historiografia tradicionalmente descreve as grandes fazendas dos campos do Paraná como propriedades auto-suficientes, produzindo o necessário para sua alimentação, vestuário, mobiliário, instrumentos de trabalho, material para a construção das casas entre outros. Além dos proprietários e seus parentes, nela viviam indivíduos e famílias de agregados, foreiros, fazendeiros e assistentes, estes últimos responsáveis pela comercialização dos produtos das fazendas que assistiam, principalmente junto aos pousos. Podiam ser brancos pobres, mas também libertos e livres de cor (afro ou indodescendentes), por vezes ocupados nas funções de capatazes, feitores, capangas e vigilantes. Alguns tinham sítios, onde criavam cavalos e vacas, plantavam milho e feijão, e negociavam suas pequenas produções com os tropeiros que vinham do Sul.
O escravo era mão-de-obra fundamental nas fazendas, e os grandes proprietários dos Campos Gerais eram geralmente senhores de escravarias maiores dos que os das terras curitibanas. Existiam africanos entre os cativos, mas estes eram principalmente crioulos. Além disso, no século XVIII e mesmo no princípio do XIX, ainda em menor número, também era possível encontrar cativos de origem indígena.
MACHADO, Cacilda. A trama das vontades: negros, pardos e brancos na construção da hierarquia social do Brasil escravista. Rio de Janeiro: Apicuri, 2008. p. 30.
Com base nos processos de disputa pela ocupação e colonização do território paranaense entre os séculos XVI e XVIII, considere:
I Ao refletir sobre os processos migratórios da colonização da região hoje delimitada como Paraná, sejam enquanto expansões espontâneas e/ou dirigidas, deve-se apontar inicialmente para a presença de diversas comunidades indígenas que a habitavam, de leste a oeste do território.
II O que concebemos como História do Paraná no século XVIII era uma realidade administrativa traduzida como área meridional paulista, ou seja, pertencente à Capitania de São Paulo.
III Os portugueses que colonizaram o litoral de Paranaguá, Antonina, Morretes e Guaratuba, ainda no século XVI, se utilizaram da experiência da cana-de- -açúcar obtida nos Açores que fora trazida ao litoral do Nordeste. Rivalizando em cultivo, o açúcar produzido em grande escala no litoral paranaense entrou no circuito triangular de mercado, promovendo uma rota mercantil entre Paranaguá-Luanda-Lisboa.
IV O comércio de gado entre Viamão e Sorocaba foi um dos principais mecanismos de desenvolvimento dos Campos Gerais. Desde o início do século XVIII já se tinha notícias da movimentação de tropas ao sul da Capitania de São Paulo. O impacto econômico foi tamanho que muitos donos das invernadas (fazendas para engorda do gado) enviavam suas filhas para estudar na Universidade de Goa e, muitas delas, se casavam com nobres portugueses ligados à Carreira da Índia.
V Muitos homens e mulheres que (i)migraram ao ultramar lusitano na América, o fizeram em busca de conquistar sua distinção. Um dos principais caminhos de acesso era ser considerado “homens-bons” por meio do pertencimento às instâncias administrativas do reino, como as câmaras municipais.
Estão CORRETAS as sentenças: