Leia e compare os poemas de Mário Quintana e Paulo Leminski.
O poema
Um poema como um gole d’água bebido no escuro.
Como um pobre animal palpitando ferido.
Como pequenina moeda de prata perdida para sempre
na floresta noturna.
Um poema sem outra angústia que a sua misteriosa
condição de poema.
Triste.
Solitário.
Único.
Ferido de mortal beleza.
(Mário Quintana. Aprendiz de feiticeiro, 1950.)
Sacro lavoro
as mãos que escrevem isto
um dia iam ser de sacerdote
transformando o pão e o vinho forte
na carne e sangue de cristo
hoje transformam palavras
num misto entre o óbvio e o nunca visto
(Paulo Leminski. O ex-estranho, 1998.)
As duas obras apresentam como temática comum a