Leia o conto “Caipora”, tirado do livro Histórias do rio Negro, de Vera do Val, livro que ganhou diversos prêmios literários:
Ai mãe que vi caipora, que tinha língua de fogo, de fogo que arde a carne, a carne que abre as pernas, me espinha toda e jorra de gozo. Ai mãe que sina bendita, no olho da mata escura, bem escura, tão escura quanto o mundo, ele tinha pelo no corpo que roçava minha pele, lambia o bico do peito, rodava no meu umbigo. Pele pelo pelo pele, que encosta nas maciezas, dá um arrepio na nuca, tirita de febre as partes, vai tangendo no meu peito, vai subindo igual formiga, vai entrando nos buracos, vai bebendo minha fonte, nos alagados do rio, no prenhe gordo da terra, acuando os escondidos, escarafunchando os guardados, abrindo todos os potes, derramando minhas águas, encharcando minhas coxas, lambuzando meu desejo. Ai mãe que vi caipora, me virando pelo avesso, me fazendo trás pra frente, engolindo meu segredo.
Essa narrativa: