Leia o diálogo entre os guerrilheiros Comissário e Sem Medo, dois personagens do livro Mayombe, de Pepetela.
— Sabes o que se passa na Base? Há o campo Kimbundo e o Kikongo. Ambos os campos desejam a nossa ruptura, para terem um chefe de fração, pelo que entendi.
— À parte os elementos destribalizados, que são pela nossa união — disse Sem Medo.
— Exato. A tensão tribal tem vindo a crescer [...]. Os kimbundos não estão contentes por causa do que aconteceu ao Ingratidão e por causa do André. [...] O kimbundos atribuem os erros todos ao André, mas também a ti. São os dois kikongos mais em vista.
[...]
— O Das Operações está a trabalhar na sombra. [...] Toda a tarde esteve em conferência com os kimbundos. [...]
— Ah, bom? O tribalismo nele é mais forte que o racismo?
(Mayombe, 2013.)
Mayombe é um romance escrito entre 1970 e 1971 por um então guerrilheiro do Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA). O livro, publicado em 1980, retrata o processo de luta pela independência de Angola do domínio português.
O conteúdo do diálogo