Leia o excerto a seguir.
O dever! Esta era a minha tábua de salvação. Eu sabia que as paixões não eram soberanas e que a nossa vontade pode triunfar delas. A este respeito eu tinha em mim forças bastantes para repelir ideias más. Mas não era o presente que me abafava e atemorizava; era o futuro. Até então aquele romance influía no meu espírito pela circunstância do mistério em que vinha envolto; a realidade havia de abrir-me os olhos; consolava-me a esperança de que eu triunfaria de um amor culpado. Mas poderia nesse futuro, cuja proximidade eu não calculava, resistir convenientemente à paixão e salvar intactas a minha consideração e a minha consciência? Esta era a questão.
ASSIS, Machado de. Confissões de uma viúva moça. In: Contos fluminenses. São Paulo: Martin Claret, 2006. p. 123.
No conto “Confissões de uma viúva moça”, manifesta-se uma das características mais expressivas do realismo praticado pelo escritor Machado de Assis.
Tal característica é a