Leia o excerto de um texto escrito por Mário de Andrade em 1928.
Esse tipo de igreja, fixado imortalmente nas duas São Francisco de Ouro Preto e São João d’El-Rei, não corresponde apenas ao gosto do tempo, refletindo as bases portuguesas da colônia, como já se distingue das soluções barrocas lusocoloniais, por uma tal ou qual denguice, por uma graça mais sensual e encantadora, por uma “delicadeza” tão suave, eminentemente brasileiras.
As igrejas do Aleijadinho não se acomodam com o apelativo “belo”, próprio à São Pedro de Roma, à catedral de Reims, à Batalha ou à horrível São Marcos de Veneza. Mas são muito lindas, são bonitas como o quê. São dum sublime pequenino, dum equilíbrio, duma pureza tão bem arranjadinha e sossegada, que são feitas pra querer bem ou pra acarinhar, que nem na cantiga nordestina.
ANDRADE, M. “O Aleijadinho”. In: MOURA, R. (ed.). Imagens do Aleijadinho. São Paulo: Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), 2018. p.181-197. Adaptado.
Segundo o texto,