Leia o fragmento do poema “Um boi vê os homens”, de Carlos Drummond de Andrade, no qual um boi descreve sua visão em relação aos seres humanos.
[...] Têm, talvez,
certa graça melancólica (um minuto) e com isto se fazem
perdoar a agitação incômoda e o translúcido
vazio interior que os torna tão pobres e carecidos
de emitir sons absurdos e agônicos: desejo, amor, ciúme
(que sabemos nós), sons que se despedaçam e tombam no campo
como pedras aflitas e queimam a erva e a água,
e difícil, depois disto, é ruminarmos nossa verdade.
(ANDRADE, C. D. de, 1992 apud ABAURRE, M. L. M.; PONTARA, M. Literatura brasileira: tempos, leitores e leituras. São Paulo: Moderna, 2005. p. 548.)
Em relação ao fragmento, considere as seguintes afirmações.
I Nesse texto, a clássica relação entre racionalidade e irracionalidade se subverte.
II A “queima da água” é uma metonímia que simboliza o poder de autodestruição que o homem possui.
III O eu-lírico sugere que o descaso da sociedade com os recursos naturais é consequência do vazio interior.
Das afirmativas acima, pode-se dizer que