Leia o fragmento do romance O canto da carpideira, de Lucelita Maria Alves (Lita Maria), para responder a QUESTÃO.
O canto da carpideira
E, Dora corria pela cozinha, com o cabo arranhando o chão liso, fazendo círculos imperfeitos. Na sua cabecinha infantil, galopava montada em um grande e poderoso cavalo de
lida.
Cuidando da lida da casa, a mãe ainda ameaçava que numa hora dessas, ainda misturaria Dora ao doce. Ralhava assim, quase rindo a mãe, mas se continha logo.
E, Dora corria sobre o cavalinho improvisado, sem ver
que montava em uma triste e empretecida colher de pau.
A fome e a falta de tudo continuavam naquela rotina monótona da vida simples de uma família sustentada por uma viúva doceira e uma avó adoentada dos peitos, e ainda havia a menina exposta ao que a mesmice trouxesse.
Todos eram muito magros.
Das pessoas, às parcas crias no quintal, exalava um cheiro de precisão, de falta, de fome, de saciedade nunca conhecida, cujo odor já nascia entranhado nas pessoas, nos bichos, nas plantas do lugar.
Fonte: ALVES, Lucelita Maria. O canto da carpideira. Palmas-TO. Universidade Federal do Tocantins – EDUFT, 2014, p. 24-25 [Fragmento]
Na leitura do fragmento do romance, o narrador traz uma cena do cotidiano da pequena Dora e de sua família.
Assinale a alternativa CORRETA.