Leia o poema a seguir, de Gregório de Matos:
Anjo no nome, Angélica na cara!
Isso é ser flor, e Anjo juntamente:
Ser Angélica flor, e Anjo florente,
Em quem, senão em vós, se uniformara:
Quem vira uma tal flor, que a não cortara,
De verde pé, da rama fluorescente;
E quem um Anjo vira tão luzente,
Que por seu Deus o não idolatrara?
Se pois como Anjo sois dos meus altares,
Fôreis o meu Custódio, e a minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares.
Mas vejo, que por bela, e por galharda,
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.
Considere as seguintes afirmativas:
I. O poema cria uma imagem de mulher divinizada, idealizada e distante da realidade, ao mesmo tempo, porém, revela o desejo que essa imagem desperta no eu-lírico.
II. A construção do poema à base de oposições (antíteses e paradoxos) é típica do Barroco, que tem como característica fundamental o dualismo.
III. A representação dessa mulher idealizada contrasta com imagens criadas pelo poeta em outros poemas que trazem figuras de mulheres escravizadas, como objetos de desejo carnal e servis, apresentadas de maneira pejorativa e satírica.
Assinale a alternativa CORRETA: