Leia o poema a seguir.
DINHEIRO
Sem ele não há cova – quem enterra
Assim grátis, a Deo? – O batizado
Também custa dinheiro. Quem namora
Sem pagar as pratinhas ao Mercúrio?
Demais, as Danais também o adoram.
Quem imprime seus versos, quem passeia,
Quem sobe a Deputado, até Ministro,
Quem é mesmo Eleitor, embora sábio,
Embora gênio, talentosa fronte,
Alma Romana, se não tem dinheiro?
Fora a canalha de vazios bolsos!
O mundo é para todos… Certamente,
Assim o disse Deus – mas esse texto
Explica-se melhor e doutro modo.
Houve um erro de imprensa no Evangelho:
O mundo é um festim – concordo nisso,
Mas não entra ninguém sem ter as louras.
AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. São Paulo: FDT, 1994. p. 193.
Glossário:
a Deo: Pela graça de Deus.
Danais: Filhas de Dânao, que se tornou rei de Argos, relativo à Grécia ou às gregas.
Mercúrio: Deus romano protetor dos viajantes, mercadores e ladrões, equivale a Hermes na mitologia grega.
Alma Romana: Expressão relativa à glória romana.
Glossário:
a Deo: Pela graça de Deus.
Danais: Filhas de Dânao, que se tornou rei de Argos, relativo à Grécia ou às gregas.
Mercúrio: Deus romano protetor dos viajantes, mercadores e ladrões, equivale a Hermes na mitologia grega.
Alma Romana: Expressão relativa à glória romana.
A ironia romântica é um conceito resultante do conflito entre o mundo material e o mundo ideal. No poema transcrito, ocorre esse tipo de ironia porque o eu lírico