Leia o poema a seguir e responda à questão
Minha desgraça
Minha desgraça, não, não é ser poeta,
Nem na terra de amor não ter um eco,
E meu anjo de Deus, o meu planeta,
Tratar-me como trata-se um boneco...
Não é andar de cotovelos rotos,
Ter duro como pedra o travesseiro...
Eu sei... O mundo é um lodaçal perdido
Cujo sol (quem m’o dera!) é o dinheiro...
Minha desgraça, ó cândida donzela,
O que faz que o meu peito assim blasfema,
É ter para escrever todo um poema
E não ter um vintém para uma vela.
(AZEVEDO, A. de. Minha desgraça. In: CÂNDIDO, A. Os melhores poemas de Álvares de Azevedo. São Paulo: Global, 1985.)
Quanto ao termo “vela”, utilizado no poema, considere as afirmativas a seguir.
I. É termo que aponta a dificuldade de acesso do sujeito lírico a certos bens materiais, como o travesseiro macio.
II. É mais um dos indícios de que estar desprovido de vinténs conduz o sujeito lírico a um desalento gradativamente anunciado no poema.
III. É termo que impede rima naquela estrofe, pois há diferença de timbre na vogal “e” de “vela” e “donzela”, assim como entre “poeta” e “planeta”, na primeira estrofe.
IV. É termo que proporciona a metáfora da falta de inspiração no sujeito lírico, assim como se observa no segundo verso da estrofe inicial.
Assinale a alternativa correta.