Leia o poema a seguir para responder à questão.
Ergue-se Marco Antônio de repente...
Ouve-se um grito estrídulo, que soa
O silêncio cortando, e longamente
Pelo deserto acampamento ecoa.
[5] O olhar em fogo, os carregados traços
Do rosto em contração, alto e direito
O vulto enorme, – no ar levanta os braços,
E nos braços aperta o próprio peito.
Olha em torno e desvaira. Ergue a cortina,
[10] A vista alonga pela noite afora...
Nada vê. Longe, à porta purpurina
Do Oriente em chamas, vem raiando a aurora.
E a noite foge. Em todo o firmamento
Vão se fechando os olhos das estrelas:
[15] Só perturba a mudez do acampamento
O passo regular das sentinelas.
BILAC, Olavo. O sonho de Marco Antônio – parte III. In: Melhores poemas de Olavo Bilac. 4. ed. Global, 2003. p. 37.
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