Leia o poema a seguir para responder à questão.
Para comer depois
Na minha cidade, nos domingos de tarde,
as pessoas se põem na sombra com faca e laranjas.
Tomam a fresca e riem do rapaz de bicicleta,
a campainha desatada, o aro enfeitado de laranjas:
‘Eh bobagem!’
Daqui a muito progresso tecno-ilógico,
quando for impossível detectar o domingo
pelo sumo das laranjas no ar e bicicletas,
em meu país de memória e sentimento,
basta fechar os olhos:
é domingo, é domingo, é domingo.
(PRADO, Adélia. Bagagem. 37. ed. Rio de Janeiro: Record, 2017. p. 43.)
Com base no poema “Para comer depois”, considere as afirmativas a seguir:
I. Ao referir-se a sua cidade, o eu lírico revela insatisfação diante das ações comuns e rotineiras.
II. O eu lírico mostra-se cético em relação ao progresso, mas, segundo ele, os avanços técnicos não inibirão um convívio harmonioso entre as pessoas.
III. Com um tom nostálgico, o eu lírico expõe que, com o passar do tempo, sua ideia de domingo estará guardada na memória.
Está(ão) correta(s)