Leia o poema a seguir.
PSICOLOGIA DE UM VENCIDO
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância.
Sobe-me à boca uma ânsia, análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
ANJOS, Augusto dos. Eu e outras poesias. 4. ed. São Paulo: Martin Claret, 2012. p. 32.
Situada no contexto do Pré-Modernismo, a poesia de Augusto dos Anjos revela a influência de diferentes tendências artísticas, constituindo-se numa mescla de tradições retomadas e inovações anunciadas.
No poema transcrito, essa mescla se manifesta na