Leia o poema “Cabelos”, de Cruz e Sousa.
Cabelos! Quantas sensações ao vê-los! cabelos negros, do esplendor sombrio, por onde corre o fluido vago e frio dos brumosos e longos pesadelos…
Sonhos, mistérios, ansiedades, zelos, tudo que lembra as convulsões de um rio passa na noite cálida, no estio1 da noite tropical dos teus cabelos.
Passa através dos teus cabelos quentes, pela chama dos beijos inclementes, das dolências fatais, da nostalgia…
Auréola2 negra, majestosa, ondeada, alma de treva, densa e perfumada, lânguida Noite da melancolia!
(Aguinaldo José Gonçalves. Literatura comentada: Cruz e Sousa, 1988.)
1 estio: verão.
2 auréola: círculo luminoso que rodeia um objeto.
O poema relaciona-se à estética simbolista, pois o eu lírico