Leia o poema “Canção”, extraído da obra Retrato natural, de Cecília Meireles:
CANÇÃO
NÃO TE FIES do tempo nem da eternidade
que as nuvens me puxam pelos vestidos,
que os ventos me arrastam contra o meu desejo.
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!
Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
nácar* de silêncio que o mar comprime,
ó lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te escuto!
Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona** aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo...
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te digo...
*Nácar: madrepérola; cor ou tom rosado ou acarminado.
**Anêmona: denominação comum às plantas herbáceas do gênero Anemone, da família das ranunculáceas; anêmona do mar
MEIRELES, Cecília. Canção. In: Retrato natural. 2. ed. São Paulo: Global, 2014. p. 32.
Apresentando um apelo do eu lírico, três estrofes compõem o poema, sobre o qual é possível afirmar: