Leia o poema de Adélia Prado, Ensinamento.
Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
(PRADO, Adélia. Poesia reunida. São Paulo: Siciliano, 1991. p. 116)
A ideia de que tudo se presta à literatura é uma constante na poesia produzida após a ruptura promovida pelos modernistas de 1922. Nos versos de Adélia Prado,