Leia o poema de Alberto da Cunha Melo.
Ao lado da garota chorando
Leve e aflita beleza,
e seda sob a garra
e gorro sob a chuva,
quem na hora do doce,
te empurrou?
quem rasgou tua blusa
na hora do recreio?
quem sorriu, quem zombou
de tua ignorância universal?
(Carne de terceira com poemas à mão livre, 1996.)
A criança
Que tens criança? O areal da estrada
Luzente a cintilar
Parece a folha ardente de uma espada.
Tine o sol nas savanas. Morno é o vento.
À sombra do palmar
O lavrador se inclina sonolento.
É triste ver uma alvorada em sombras,
Uma ave sem cantar,
O veado estendido nas alfombras1.
Mocidade, és a aurora da existência,
Quero ver-te brilhar.
Canta, criança, és a ave da inocência.
Tu choras porque um ramo de baunilha
Não pudeste colher,
Ou pela flor gentil da granadilha?
Dou-te um ninho, uma flor, dou-te uma palma,
Para em teus lábios ver
O riso — a estrela no horizonte da alma.
Não. Perdeste tua mãe ao fero açoite
Dos seus algozes vis.
E vagas tonto a tatear à noite.
Choras antes de rir... pobre criança!...
Que queres, infeliz?...
— Amigo, eu quero o ferro da vingança.
(Canto da esperança, 1990.)
Comparando-se o poema de Alberto da Cunha Melo com o de Castro Alves, é correto afirmar que ambos os textos apresentam