Leia o poema de Fernando Pessoa.
Quando as crianças brincam
E eu as oiço1
brincar,
Qualquer coisa em minha alma
Começa a se alegrar.
E toda aquela infância
Que não tive me vem,
Numa onda de alegria
Que não foi de ninguém.
Se quem fui é enigma,
E quem serei visão,
Quem sou ao menos sinta
Isto no coração.
(“Cancioneiro”. Obra poética, 1995.)
1oiço: ouço.
A partir da leitura da segunda estrofe, é possível inferir que o enunciador