Leia o poema de Gregório de Matos para responder à questão.
Soneto
Bote a sua casaca de veludo,
E seja capitão sequer dois dias,
Converse à porta de Domingos Dias,
Que pega fidalguia mais que tudo.
Seja um magano1, um pícaro2, um cornudo3,
Vá a palácio, e após das cortesias
Perca quanto ganhar nas mercancias,
E em que perca o alheio, esteja mudo.
Sempre se ande na caça e montaria,
Dê nova solução, novo epíteto,
E diga-o, sem propósito, à porfia4;
Que em dizendo: “facção, pretexto, efecto”
Será no entendimento da Bahia
Mui fidalgo, mui rico, e mui discreto.
(Poemas escolhidos, 2010.)
1 magano: velhaco, malandro.
2 pícaro: ardiloso, esperto.
3 cornudo: corno (traído conjugalmente).
4 à porfia: insistentemente, com tenacidade.
Nesses versos, o enunciador do poema recomenda de que maneira o indivíduo deveria se portar para parecer fidalgo, ou seja, destacar-se como um tipo social nobre e distinto, na Bahia.
Nesse sentido, trata-se de um poema