Leia o poema de Luís de Camões (Soneto I) e considere as proposituras relacionadas a ele:
Enquanto quis Fortuna que tivesse
Esperança de algum contentamento,
O gosto de um suave pensamento
Me fez que seus efeitos escrevesse.
Porém, temendo Amor que aviso desse
Minha escritura a algum juízo isento,
Escureceu-me o engenho c’o tormento,
Para que seus enganos não dissesse.
Ó vós, que Amor obriga a ser sujeitos
A diversas vontades! Quando lerdes
Num breve livro casos tão diversos
(Verdades puras são, e não defeitos),
E sabei que, segundo o amor tiverdes,
Tereis o entendimento de meus versos.
I- O primeiro quarteto remete ao passado e relembra um tempo de esperança, trazida pela Fortuna.
II- O segundo quarteto, no entanto, nos revela a adversidade trazida pelo Amor – indicada inclusive pela conjunção que inicia a estrofe.
III- Os dois tercetos finais constroem um enigma baseado na interpretação da própria experiência amorosa a que remete o poema: ela será diversa (positiva ou negativa) segundo cada experiência particular de quem lê.
Depois de uma leitura atenta, podemos dizer que são interpretações pertinentes: