Leia o poema de Mario Quintana para responder à questão.
A casa fantasma
A casa está morta?
Não: a casa é um fantasma,
um fantasma que sonha
com a sua porta de pesada aldrava1,
com os seus intermináveis corredores
que saíam a explorar no escuro os mistérios da noite
e que as luas, por vezes,
enchiam de um lívido2 assombro…
Sim!
agora
a casa está sonhando
com o seu pátio de meninos pássaros.
A casa escuta… Meu Deus! a casa está louca, ela não sabe
que em seu lugar se ergue um monstro de cimento e aço:
há sempre uma cidade dentro de outra
e esse eterno desentendido entre o Espaço e o Tempo.
Casa que teimas em existir
a coitadinha da velha casa!
Eu também não consegui nunca afugentar meus pássaros.
(Baú de espantos, 1986.)
1 aldrava: tranca.
2 lívido: pálido.
A temática abordada no poema diz respeito