Leia o poema de Vinicius de Moraes.
Soneto do maior amor
Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.
E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.
Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer – e vive a esmo
Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.
Fonte: MORAES, Vinicius de. Antologia poética. 25. ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1984. p. 98.
O poema transcrito tematiza o amor, seus dramas e contradições. O autor do texto é considerado modernista, mas, nesses versos, pela presença de antíteses, recupera traços de outro período literário, que é o