Leia o poema “Dia de chuva”, do escritor português Antônio Botto, para responder à questão.
Amanheceu a chover.
Na vidraça do meu quarto,
A bater, impertinente,
A chuva lembra uma queixa
Dolorosa, sem remédio!
Ninguém passa! Nesta rua
Moro eu e mora o tédio.
O vento atira com ela
De encontro à minha janela;
E ela, a chuva, batucando
Na vidraça do meu quarto,
Fica escorrendo e alagando.
Esta indecisa luz fria
Que põe sintomas de um véu
Negro e solto pelo céu!
E a chuva cai, não abranda,
Insiste, bate, fustiga,
E o dia avança e vai abrindo mais
O seu curso de lentas melodias
Diluídas no corpo da existência
Através de um rosário de ilusões!
São sempre assim estes dias
Tristíssimos como a história
De uma ansiedade partida!
Chuva, névoa, desconforto,
A imagem da minha vida!
(Antônio Soares Amora et al.
Presença da literatura portuguesa
, 1961. Adaptado.)
Os trechos que apresentam, respectivamente, personificação e gradação – figuras utilizadas pelo eu lírico para externar seu desencanto em relação à vida – são: