Leia o poema e o fragmento apresentados a seguir.
O TEMPO DE COLHEITA DOS CAJUS
PARA BATUIRA JUSTINO, VÍTIMA DA FRIA
IMPOSTURA DO CORONEL PASSARINHO
Outubro é o tempo da colheita dos cajus do campo.
mas como? como se há de ir ao campo para a colheita?
como? se o coronel e o general estão tocando
o toque de reunir de seu rebanho
para rondar as casas e as ruas e os campos?
GARCIA, José Godoy. Poesia. Brasília: Thesaurus, 1999. p. 325.
[...]
— O senhor mandou me chamar, coronel, aqui estou, às suas ordens.
O coronel não respondeu. Fitava o empregado, impassível. De repente, e com uma agilidade inesperada, saltou da rede, e com um tapa arrancou o chapéu que papai tinha na cabeça.
— Falta de respeito! — bradou.
Papai, confuso, amedrontado, não disse nada: baixou a cabeça, simplesmente, e ali ficou imóvel, fitando o chão.
— Pega teu chapéu — vociferou o coronel — e some daqui. Só volta quando tiveres aprendido a respeitar o teu patrão. Comigo só se fala de cabeça descoberta, ouviste?
Sem uma palavra, papai apanhou o chapéu. Em silêncio, descemos as escadas da casa e seguimos pela trilha que nos levaria para casa. O dia estava muito bonito; nenhuma nuvem no céu, o sol brilhando. Nas coxilhas bois pastavam, plácidos, e os quero-queros voejavam. Enfim, a bela paisagem de sempre, coisa de cartão-postal. [...]
SCLIAR, Moacyr. Eu vos abraço, milhões. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 17.
[...]
— O senhor mandou me chamar, coronel, aqui estou, às suas ordens.
O coronel não respondeu. Fitava o empregado, impassível. De repente, e com uma agilidade inesperada, saltou da rede, e com um tapa arrancou o chapéu que papai tinha na cabeça.
— Falta de respeito! — bradou.
Papai, confuso, amedrontado, não disse nada: baixou a cabeça, simplesmente, e ali ficou imóvel, fitando o chão.
— Pega teu chapéu — vociferou o coronel — e some daqui. Só volta quando tiveres aprendido a respeitar o teu patrão. Comigo só se fala de cabeça descoberta, ouviste?
Sem uma palavra, papai apanhou o chapéu. Em silêncio, descemos as escadas da casa e seguimos pela trilha que nos levaria para casa. O dia estava muito bonito; nenhuma nuvem no céu, o sol brilhando. Nas coxilhas bois pastavam, plácidos, e os quero-queros voejavam. Enfim, a bela paisagem de sempre, coisa de cartão-postal. [...]
SCLIAR, Moacyr. Eu vos abraço, milhões. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 17.
— Falta de respeito! — bradou.
Papai, confuso, amedrontado, não disse nada: baixou a cabeça, simplesmente, e ali ficou imóvel, fitando o chão.
— Pega teu chapéu — vociferou o coronel — e some daqui. Só volta quando tiveres aprendido a respeitar o teu patrão. Comigo só se fala de cabeça descoberta, ouviste?
Sem uma palavra, papai apanhou o chapéu. Em silêncio, descemos as escadas da casa e seguimos pela trilha que nos levaria para casa. O dia estava muito bonito; nenhuma nuvem no céu, o sol brilhando. Nas coxilhas bois pastavam, plácidos, e os quero-queros voejavam. Enfim, a bela paisagem de sempre, coisa de cartão-postal. [...]
SCLIAR, Moacyr. Eu vos abraço, milhões. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 17.
Sem uma palavra, papai apanhou o chapéu. Em silêncio, descemos as escadas da casa e seguimos pela trilha que nos levaria para casa. O dia estava muito bonito; nenhuma nuvem no céu, o sol brilhando. Nas coxilhas bois pastavam, plácidos, e os quero-queros voejavam. Enfim, a bela paisagem de sempre, coisa de cartão-postal. [...]
SCLIAR, Moacyr. Eu vos abraço, milhões. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 17.
No poema de Godoy e no romance de Scliar, evidencia-se o fenômeno político do coronelismo, característico da Primeira República brasileira. Nos dois textos, a dominação decorrente desse fenômeno se expressa na