Leia o poema “Menino de engenho”, de João Cabral de Melo Neto, para responder à questão.
Menino de engenho
A cana cortada é uma foice.
Cortada num ângulo agudo,
ganha o gume afiado da foice
que a corta em foice,
um dar-se mútuo.
Menino, o gume de uma cana
cortou-me ao quase de cegar-me,
e uma cicatriz, que não guardo,
soube dentro de mim guardar-se.
A cicatriz não tenho mais;
o inoculado, tenho ainda;
nunca soube é se o inoculado
(então) é vírus ou vacina.
(A escola das facas, 2008.)
A palavra “então”, no último verso, serve ao propósito de