Leia o poema.
Ode ao burguês
Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
O burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva o homem nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
É sempre um cauteloso pouco a pouco!
Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampeões! Os condes Joões! Os duques zurros!
Que vivem dentro de muros sem pulos;
E gemem sangues de alguns mil-réis fracos
Para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
E tocam o “Printemps” com as unhas!
[...]
ANDRADE, M. Poesias completas. 6 ed. Belo Horizonte. Itatiaia, 1980.
O poema de Mario de Andrade esteve entre os de maior destaque durante a Semana da Arte Moderna, evento que ocorreu em 1922 e que buscava