Leia o poema Romance da piracema, em que o escritor Elson Farias, integrante do Clube da Madrugada, refere-se, como Tarsila do Amaral, à vida de pescadores.
Espumas de ardente brilho
era o verão que se abria.
Não há maior maravilha.
Ver o rio bem é ver
o rio vibrar de peixes.
De um lado ao outro as canoas
cruzam no centro os cardumes,
as tarrafas se desprendem
dos braços dos pescadores,
se desprendem como círculos
e voltam cheias de peixe.
Ah, a fartura infindável
desses dias de novembro!
Ter um peixe dentre os dedos
é sentir a vida inteira,
é como o abrir da janela
para o sol, a manhã vinda,
é como o acordar das trevas
de uma noite que não finda.
Há pescadores de nome
que nesse tempo se alargam
na fama que as bocas levam
de casa em casa. Os paneiros
se abarrotam e as panelas
trescalam de cheiro-verde,
ardem de pimenta e sal
todo dia nesses meses.
O rio brilha de peixes
como um bloco de alumínio,
[...]
É tempo de muito peixe,
fartura de festa, a fome
deixa o corpo de quem come.
Não há casa que não tenha
o fogão cheio de lenha,
em qualquer casa que se entre
há na trempe peixe-sempre.
Vale viver dia a dia
esses dias de alegria.
(www.antoniomiranda.com.br)
No poema, o eu lírico expressa sua