Leia o soneto abaixo e responda:
“Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.
O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ousadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.
Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.
O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo, mar de enganos,
Ser louco c’os demais, que só, sisudo.”
MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 253.
O soneto de Gregório de Matos aborda o tema do “desconcerto do mundo”, recorrente no Barroco brasileiro, que demonstra o sentimento de desagregação e de estranhamento do eu lírico em relação ao mundo.
Qual imagem, retirada do último terceto do soneto, corresponde à concepção de mundo do eu lírico neste soneto?