Leia o texto a seguir.
Assim eram os velhos de passadas gerações. Preservavam, até o fim, uma dignidade superiormente crespa; opinar por telefone seria uma dessas humilhações inapeláveis e crudelíssimas. Os novos tempos é que trouxeram, para a imprensa, novos usos, costumes, valores, maneiras. No passado, as redações eram só masculinas. Mais fácil ver uma girafa escrevendo tópicos do que uma mulher jornalista. Ao passo que, em nossos dias, a imprensa está cheia de meninas. Ainda bem que as estagiárias são de outra época, ou seja, de uma época em que tudo se diz e tudo se faz pelo telefone. Entre a Casa Branca e o Kremlin há um telefone direto e fatal. Basta uma ligação e não sobreviverá uma folha de alface.
RODRIGUES, Nelson. Estrela. In: O reacionário: memórias e confissões. Rio de Janeiro: Agir, 2008. p. 128-132. (Adaptado).
Assim eram os velhos de passadas gerações. Preservavam, até o fim, uma dignidade superiormente crespa; opinar por telefone seria uma dessas humilhações inapeláveis e crudelíssimas. Os novos tempos é que trouxeram, para a imprensa, novos usos, costumes, valores, maneiras. No passado, as redações eram só masculinas. Mais fácil ver uma girafa escrevendo tópicos do que uma mulher jornalista. Ao passo que, em nossos dias, a imprensa está cheia de meninas. Ainda bem que as estagiárias são de outra época, ou seja, de uma época em que tudo se diz e tudo se faz pelo telefone. Entre a Casa Branca e o Kremlin há um telefone direto e fatal. Basta uma ligação e não sobreviverá uma folha de alface.
RODRIGUES, Nelson. Estrela. In: O reacionário: memórias e confissões. Rio de Janeiro: Agir, 2008. p. 128-132. (Adaptado).
Assim eram os velhos de passadas gerações. Preservavam, até o fim, uma dignidade superiormente crespa; opinar por telefone seria uma dessas humilhações inapeláveis e crudelíssimas. Os novos tempos é que trouxeram, para a imprensa, novos usos, costumes, valores, maneiras. No passado, as redações eram só masculinas. Mais fácil ver uma girafa escrevendo tópicos do que uma mulher jornalista. Ao passo que, em nossos dias, a imprensa está cheia de meninas. Ainda bem que as estagiárias são de outra época, ou seja, de uma época em que tudo se diz e tudo se faz pelo telefone. Entre a Casa Branca e o Kremlin há um telefone direto e fatal. Basta uma ligação e não sobreviverá uma folha de alface.
RODRIGUES, Nelson. Estrela. In: O reacionário: memórias e confissões. Rio de Janeiro: Agir, 2008. p. 128-132. (Adaptado).
Esta crônica foi publicada no jornal O Globo, em 1969. Os recursos linguísticos utilizados demarcam a experiência histórica daquele tempo. No texto, com o uso da