Leia o texto a seguir.
“(...) Com efeito, em todas as regiões do reino onde se encontra a lá mais fina, e portanto a mais cara, os nobres e os ricos, sem falar de alguns abades, santos personagens não contentes de viverem à larga e preguiçosamente das rendas anuais que a terra assegurava a seus antepassados, sem nada fazerem em favor da comunidade (prejudicando-a, deveriamos dizer), não deixam mais nenhum lugar para o cultivo, acabam com as granjas, destroem as aldeias, cercando toda a terra em pastagens fechadas, não deixando subsistir senão a igreja, da qual farão um estábulo para seus carneiros.”
MORUS, Thomas. Utopia. Porto Alegre: L&PM, 1997. P. 31-32.
A crítica de Thomas Morus (1478-1535) refere-se ao processo de cercamento dos campos (enclosure) na Inglaterra, que teve início por volta do século XV e esteve inicialmente atrelada a criação de carneiros para a produção de lã.
No século XVIII, com o avanço do desenvolvimento tecnológico e científico, o cercamento das terras visando a produção de alimentos para as cidades se intensificou, tendo como consequência