Leia o texto a seguir para responder à questão.
Hoje não escrevo
Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos.
Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.
ANDRADE, Carlos Drummond de. De notícias e não notícias faz-se a crônica. Rio de Janeiro: Record, 1974. p. 46.
No trecho “Chega um dia de falta de assunto.
Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos”, o constituinte “mais propriamente” exerce um papel importante na direção argumentativa do texto, tendo como função