Leia o texto a seguir para responder à questão.
MARQUES, Eduardo (Org.). A metrópole de São Paulo no século XXI: espaços, heterogeneidades e desigualdades. São Paulo: Unesp/ Centro de Estudos da Metrópole, 2016.
Por Paula Freire Santoro
(Professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, coordena o blog https://observasp.wordpress.com)
O livro mira nas conhecidas teorias sobre a metrópole paulistana, mas, em vez de destruí-las, regula o foco, transformando homogeneidade em heterogeneidade, ou ainda duas cores em um espectro amplo de tons. Assim, desenha permanências e transformações, desvenda
processos considerados dissociados e antagônicos que se dão sobre o mesmo território, e disserta sobre os modelos clássicos, mostrando que estes ocultam dimensões importantes. Por isso, propõe um desafio aos acostumados as confortáveis teses gerais, o que torna o livro mais interessante. Inclusive porque as revisita nas linhas e entrelinhas e incita o debate. Vale uma leitura cuidadosa.
Para dar luz à heterogeneidade, propõe diferentes abordagens metodológicas, utilizando uma vastidão de dados censitários e pesquisas, apoiados em mapeamentos de informações georreferenciadas atualizadas. Essa preocupação metodológica está presente nas três partes do livro: uma primeira sobre as dinâmicas econômicas, com olhar sobre o mercado de trabalho, uma segunda sobre dinâmicas demográficas e segregação residencial, e uma terceira sobre a produção dos espaços na metrópole, que foca o tema da habitação e da mobilidade.
Um exemplo: procura regular o foco sobre o dualismo da metrópole divida em centro e periferia, ideia que estruturou as teses sobre segregação socioterritorial, sobre desigualdade social. Ao olhar sobre a introdução do programa federal Minha Casa Minha Vida, cujas teses mostram que os empreendimentos habitacionais produzidos foram instalados em áreas mais periféricas e segregadas, reforçando o padrão centro-periferia, procura problematizar as dimensões relativas à segregação para além dessa dualidade. Assim, verifica a proximidade dos empreendimentos de centralidades secundárias, de estações de metrô ou trem, de equipamentos educacionais, e procura mostrar que a segregação residencial diz respeito mais à homogeneidade de conteúdos sociais das áreas da cidade onde estão inseridos. Ainda que aponte a existência de segregação desses empreendimentos na escala da metrópole, qualifica e problematiza as diferentes dimensões da segregação. Nesse processo, revela que o que chamávamos de periferia se qualificou, ou que há periferias na periferia, colocando em xeque o próprio conceito de periferia.
Le Monde Diplomatique Brasil, Ano 9, n. 103, fev. 2016. (Adaptado)
O sentido do enunciado “colocando em xeque o próprio conceito de periferia” é construído a partir de uma